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Tempos Dickensianos

By 1 de junho de 2018 Sem comentários

 

Tempos Dickensianos

 

“Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos.”

Sei que começar um texto com citação é um recurso duvidoso, mas a clássica frase inicial de Charles Dickens em “Um Conto de Duas Cidades” é bastante adequada para o assunto em questão. Isso porque, mesmo escritas no século XIX, as palavras do autor britânico definem perfeitamente a época na qual vivemos, um tempo de celebradas conquistas e avanços científicos, mas de alardeado retrocesso nas relações humanas.

Não é segredo que nunca houve mudanças comportamentais tão bruscas em nossa sociedade. Em menos de cinquenta anos, a vida e as atividades sociais se transformaram completamente. Pense na maneira como seus avós viviam e quais eram seus objetivos, e pense na forma como você vive e enxerga o mundo. A diferença é descomunal. Obviamente, diante da velocidade com as quais as mudanças ocorrem, não é fácil se manter atualizado – se nem mesmo as gerações mais recentes conseguem dar conta de tantas novidades, o que sobra para quem possui valores de outra época?

Há muita, muita gente que faz parte desse último grupo, que ainda é reticente em relação às evoluções tecnológicas. São pessoas que ainda se agarram a esse outro tempo e enxergam boa parte das novidades como muros que criam distância entre os seres humanos. Até certo ponto, não deixam de estar certos. No mundo moderno, boa parte das relações é virtual. O contato humano passou a ter uma barreira no meio, representada pela tela de celular ou computador. A tecnologia que prometia aproximar, afastou. Estamos mais perto de quem era distante, porém mais longe de quem está ao nosso lado.

Se essa ainda é uma condição contra a qual é possível brigar – usando os aparelhos modernos de forma moderada e sempre buscando contatos reais, por exemplo –, a predominância da tecnologia em nossas vidas não é. Trata-se de um fato indelével. Estamos em uma época na qual a vida digital se tornou tão importante quanto a real. A mudança não está acontecendo; ela já aconteceu.

Nesse cenário, você tem duas escolhas: abraçar as mudanças e fazer parte da nova sociedade ou se agarrar a conceitos e ideias de outros tempos e ficar para trás. Mas não tenha dúvida: o mundo não vai esperar por você. Ele está mudando, todo ano, todo dia, toda hora. Por mais que você seja contra essa mudança, por mais que esteja convicto de sua forma de pensar, por mais que prefira como tudo era antes, você não vai parar as rodas do tempo. Prender-se a conceitos antigos pode ser danoso e prejudicial – e apenas à sua vida, não à de outros. É inaceitável que uma criança de três anos saiba mexer melhor em um celular e um iPad do que você.

As pessoas que ainda lutam contra o tempo não entendem que ele pode ser um aliado. Ele não é um inimigo, mas um incentivador. É algo que o empurra para a frente, evitando estagnação. E, já que comecei esse texto com uma citação, encerro com outra: “O tempo não para”, disse Cazuza.

Por que você pararia?

 

Silvio Pilau
Redator

 

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