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Uma imagem vale mais que mil palavras

By 13 de julho de 2018 Sem comentários

 

Uma imagem vale mais que mil palavras

 

“- Mas tu sabe, né? Uma imagem vale mais que mil palavras.”

Soltar uma frase dessas dentro de qualquer agência é como acender um pavio e correr, só esperando rolar aquela clara divisão entre os que desenham e os que escrevem. De um lado está o diretor de arte, esse ser que acredita que a peça precisa estar bonita para ser boa. Do outro, temos aquele que se acha um grande rei-filósofo e quer problematizar até convite infantil.

Cada um puxa para o seu lado. E está certo isso. Um fala o que acredita, o outro finge que entende e todos vivemos em harmonia.

Deveria ser assim. Mas ouvir heresias como a frase citada acima exige um posicionamento adequado e chamar todo mundo para o debate.

Primeiro, contextualizamos que, em média, 1000 palavras é o equivalente a 3 páginas de Word em fonte Arial 12 e espaçamento 1,5. Ou seja, é muito conteúdo.

Agora, é necessário entendermos sobre a origem do termo, que vem lá do século VI antes de Cristo. Naquela época, existia um sábio chinês que adorava problematizar as coisas. O mestre Kung Fu Tsé, Confúcio para os íntimos, proferiu a sentença e ganhou fama vista até hoje em imagens bonitas que recebemos nos grupos de família.

A origem da frase remonta à ideia de que é mais fácil compreender determinadas situações através do uso de recursos visuais.

Claro que entendemos isso, a comunicação visual é muito mais eficiente. Podemos ver muito disso no gosto popular baseado no número de usuários do Instagram, que já superou 1 bilhão, e no número de perfis no Twitter (320 milhões) e no Medium (de tão pouco, o número nem está atualizado). Ou seja, a primeira, que tem foco principal nas imagens, se expande cada vez mais. Enquanto as outras, voltadas ao texto, vão sumindo, sumindo…

Mas por que então isso seria uma heresia? Primeiro: sempre vamos defender o nosso ponto de vista. Motivo mais do que justo. Segundo: se fosse verdade, as pinturas rupestres já teriam sido decifradas. Imagina se em vez de existir o desenho de um animal, tivéssemos a frase: “hoje saí pra caçar, matei dois mamutes”. Haveria alguma dúvida sobre o que aquilo queria dizer? Terceiro: textos tendem a gerar interpretação mais direta, visto que podemos transmitir a mensagem ou percepção desejada falando exatamente o que é preciso. Pense nisso sobre aquela vez que saiu de casa e deixou um bilhete avisando onde ia. Se tivesse desenhado algo em vez de escrever, com certeza ia receber uma bronca de seus pais quando entrasse em casa.

Então por que essa frase é tão comentada na publicidade?

Claro, não há como negar, imagens são mais impactantes. Mas, antes de explicar, já adianto que uma não vale mil palavras não. Sei que estamos generalizando, mas todo mundo sabe que generalizações funcionam. Principalmente em publicidade. E para provar isso, desafio a pegar qualquer imagem e descrevê-la sem enrolação em 1000 palavras, preenchendo 3 páginas de Word, como citado anteriormente.

Melhor, leia um conto do Machado de Assis e depois o descreva em uma imagem. Difícil, não?

Mas, claro, vivemos um tempo em que somos bombardeados com informações de todos os lados e, muitas vezes, não sabemos quais escolher para dar atenção. E nisso entra o papel importante da imagem (que não vale mais que mil palavras).

Segundo uma pesquisa realizada pela Forrester, 90% das informações que absorvemos são visuais, porque elas são processadas 60 mil vezes mais rapidamente que os textos. A pesquisa também afirma que posts com imagens recebem 94% mais engajamento do que os que não possuem.

Entretanto, mesmo quando usamos imagens em anúncios precisamos de uma assinatura para comunicar de forma efetiva. Ou seja, texto e imagem andam juntos na publicidade.

Nem sempre. Não podemos esquecer que há os anúncios que são apenas texto. E aqui surge mais um ponto para as palavras.

Os anúncios alltype parecem simples para quem vê. A ideia de colocar uma frase no layout sem a adoção de atributos imagéticos beira a simplicidade e a falta de recursos e de criatividade. Ledo engano…

Nesse tipo de peça, a presença de elementos comunicacionais deve ser mais ampla ainda. Isso porque a mensagem precisa captar o público de forma rápida e envolvê-lo quase sempre ironicamente e com uma mensagem bem-humorada.

Os anúncios alltype constam, em sua maioria, de exercícios à inteligência com provocações ao público, envolvendo emissões curtas e criativas através de enunciados sofisticados e memoráveis.

Essa prática se desassocia da noção de que a criação publicitária precisa ser uma atividade chamativa, atraente aos olhos, plástica, mas se liga ao fato de que a comunicação deve, necessariamente, ser comprometida com a originalidade, a coerência e a inteligência do público. E nisso, o anúncio alltype é um carro-chefe para a comunicação.

Devemos mudar essa cultura contemporânea em que predomina o estereótipo de um público que não lê, que é mais influenciado por meio de imagens e que elas são mais lúdicas. O nosso público está totalmente aberto a uma comunicação que o faça pensar e que instigue suas referências, desde que ela seja bem feita.

Claro, não podemos esquecer que também devemos perder essa noção de que uma imagem vale mais que mil palavras. Porque não vale.

 

 

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