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Melhor que Jimi

By 6 de setembro de 2018 Sem comentários

 

Melhor que Jimi

 

Reza a lenda que, no início dos anos 60, um grande guitarrista entrou em um bar de Nova York para assistir à apresentação de um jovem músico. Durante pouco menos de duas horas, acompanhou um negro desconhecido fazer com a mão esquerda e uma guitarra coisas que nunca antes haviam sido vistas ou ouvidas. Ao término da apresentação daquele que viria a ser conhecido pela eternidade como Jimi Hendrix, o grande guitarrista na plateia se virou para seus amigos e perguntou: “O que diabos me resta a fazer depois disso?”

Para ele, naquele momento, Hendrix havia estabelecido um padrão inalcançável. Embasbacado com a performance, o consagrado artista imaginou que jamais faria algo capaz de igualar ou superar o que havia recém presenciado. Hendrix era o músico definitivo, o nível mais alto a ser atingido na escala dos guitarristas. Perto dele, todos os demais seriam reduzidos a quase nada e ninguém teria o talento e a capacidade de produzir algo tão único e original.

Isso vale para a música, claro, mas também para qualquer outra área. Ninguém atinge a grandeza olhando para o lado, mas para a frente. Ou, simplesmente, para cima. Ter algum parâmetro é essencial. O desafio é o anabolizante da criatividade. Não apenas o desafio de criar, mas sim o desafio de criar algo inovador e nunca antes visto. De fazer algo diferente e – por que não? – melhor do que outros já fizeram. Se, um dia, alguém elevou a qualidade de seu ofício, isso não deve desanimar; deve ser o incentivo para se fazer ainda mais.

Todo mundo tem seus ídolos em suas respectivas áreas de atuação. São aqueles modelos, as pessoas que inspiram e levam a pensar: “Queria fazer igual a ele”. E isso é fundamental para a criatividade. Para o crescimento. É o que puxa para cima e evita a acomodação. Ninguém quer ser comum. Ninguém quer ser apenas um a mais. O objetivo deve ser sempre se diferenciar. Sempre a excelência. Para isso, ao compor, ao tocar, ao escrever, ao jogar, ao criar, seja o que for, espelhe-se nos grandes. Tenha em mente que é possível superá-los.

Pode até ser uma tarefa difícil. Ser melhor que Jimi Hendrix, convenhamos, é quase impossível. Mas quanto mais você tentar se aproximar do panteão, melhor será. Quanto mais desafiar a si mesmo, mais único será o seu trabalho.

E, quem sabe, talvez, um dia, essa honrosa posição de referência pode acabar sendo sua.

Silvio Pilau
Redator

 

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