Não faltam livros e autores sobre storytelling na literatura de comunicação e publicidade. De fato, é uma poderosa ferramenta para contarmos histórias, estruturarmos argumentos e, claro, vendermos ideias e produtos. Mas não é nova.
Pelo contrário, há inúmeros exemplos do seu uso pela publicidade ainda no começo do século passado (ou século XX, para os humanos que, assim como eu, nasceram naquela época).
Um desses exemplos fazem milhões de vítimas até os dias de hoje, e provavelmente você que nos lê é uma delas. Estamos falando da vitamina C. Basta passar em qualquer farmácia para se deparar com dezenas de cartazes que prometem a proteção para gripes e resfriados a quem utilizar a vitamina C. Sim, é tudo mentira.
A vitamina C é ótima para prevenir o escorbuto e outras doenças, mas tem eficácia zero contra gripes e resfriados. Ocorre que o cientista Linus Pauling (vencedor do Prêmio Nobel) lançou um livro em 1970 contando que ingeria gramas de vitamina C todos os dias, fazendo com que ele estivesse imune a gripes e resfriados. A indústria farmacêutica se aproveitou disso, embalou essa história e a vende até os dias de hoje. Mas não passa de um mito já desmentido pela ciência.
Voltamos no tempo só mais um pouco, desta vez para a década de 30, nos EUA. As vendas de espinafre não iam lá muito bem, fazendo com que o governo americano estimulasse a criação de um personagem de histórias em quadrinhos que, ao comer a verdura, se tornava forte e vencia seus desafios. Nascia o marinheiro Popeye. Coincidência ou não, as vendas cresceram 33% naquela década, estimulando a economia pós-Grande Depressão. O detalhe fica por conta de que o espinafre nem tem lá essa capacidade de dar tanta energia às pessoas, visto que seus níveis de ferro são relativamente baixos.
Contar boas histórias é realmente poderoso há décadas. Usar o storytelling com sabedoria, e falando a verdade, pode fazer mesmo a diferença, com ou sem internet.